terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um desejo sem fim



(Ramón Peres de Ayala)
( 1881, Oviedo (Espanha) / ? (Espanha)


Viver não é senão amar.
Amar, três coisas pode ser:
desejar, possuir, recordar.
Costuma a possessão nos amargar
como a lembrança entristecer.
Sintamo-nos viver,
pondo um pouco de lado este prazer,
mesmo quando o possamos desfrutar.
Andar em frente, o ontem esquecer.
Desejar, desejar até morrer.


(tradução: Walmir Ayala)

"Teci sozinha o meu Linho..."



(Rosalía de Castro)
(1837, Santiago de Compostela (Espanha)/ 1885, Padrón (Espanha))


Teci sozinha o meu Linho,
semeei só minha horta
e só, vou pôr lenha ao monte,
e só, vejo-a arder no lar.
Nem na fonte, nem no prado,
assim morra com meu fardo,
ele não há de vir-me erguer
nem na terra me deitar.
Que tristeza! O vento zoa,
canta o grilo o seu compasso...
Ferve a panela... meu caldo
sozinha o hei de cear.
Cala, rola; os teus arrulhos
ânsias de morrer me dão.
Cala, grilo, que se cantas
sinto negra solidão.
Meu companheiro perdeu-se,
ninguém sabe aonde vai...
Andorinha que passaste
com ele as ondas do mar,
Andorinha, voa, voa,
vem dizer-me onde ele está.

(Tradução: Eclea Bosi)

Leia mais poesias de Rosalía de Castro:

- Antonio Miranda
- Poesia Latina

No deserto



(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Metade de mim cavalo de mim mesma eu te domino
Eu te debelo com espora e rédea

Para que não te percas nas cidades mortas
Para que não te percas
Nem nos comércios de Babilônia
Nem nos rios sangrentos de Nínive

Eu aponto o teu nariz para o deserto limpo
Para o perfume limpo do deserto
Para a sua solidão de extremo a extremo

Por isso te debelo te combato te domino
E o frio te corta a espora te fere a rédea te retém

Para poder soltar-te livre no deserto
Onde não somos nós dois mas só um mesmo
No deserto limpo com seu perfume de astros
Na grande claridade limpa do deserto
No espaço interior de cada poema
Luz e fogo perdidos mas não perto
Onde não somos nós dois mas só um mesmo.

Leia mais poesias de Sophia de Mello Breyner Andresen:

- Jornal de Poesia
- Releituras
- Aldeia

Os laços



(Sully-prudhomme)
(1839, Paris (França)/ 1907, Chattenay (França)


Querendo a tudo amar, trago a alam dolorida,
Porque multipliquei a causa dos tormentos...
rágeis laços, grilhões inúmeros, cruentos,
Prendem meu coração às coisas desta vida.

Tudo a um tempo me atrai e enlaça-me igualmente:
Por seu brilho, a verdade e seus véus, o mistério;
Minh'alma se une ao sol num raio de ouro, etéreo,
E em mil fios de seda a cada estrela ardente...

A cadência me prende à ária que triste evoca;
Seduz-me a veludez da rosa entre os abrolhos;
Eu de um sorriso fiz o grilhão dos meus olhos
E fiz também um beijo a cadeia da boca!

Assim, cativo sou de quem adoro, a esmo...
Suspenso é meu viver nesta rede que o enlaça...
E quando o menor sopro entre aquleas perpassa
Sinto um pouco de mim se arrancar de mim mesmo.

(tradução Álvaro Reis)

Infelizmente, não encontrei nenhum outro link - em português - para se ler mais poesias desse autor. Mas, no original, em francês... há o seguinte sítio, em formato pdf:
- Domínio público

(sem título)



(Victor Hugo
1802, Besançon (França)/ 1885, Paris (França))


Oh! vem quando eu dormir, ao pé de onde me deito,
como, outrora, a Petrarca ia Laura; e, ó visão,
que eu sinta o teu perfume e ele me toque o peito...
De repente em meu leito,
meus lábios sorrirão!

Sobre a minha cabeça, onde talvez falece
o negro sonho que é minha eterna aflição,
que desça o teu olhar como um sol que alvorece...
Súbito, minha prece,
meus sonhos brilharão!

Depois, em minha boca, onde volteja ardente
uma chama de amor que os astros bendirão,
deixa um beijo; e, mulher, em vez de anjo, presente,
Verás que, de repente,
Meus olhos se abrirão!


[b]Para ler mais poesias de Victor Hugo:[/b]

- clxv
- Site do Escritor
- Nosso São Paulo

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Feliz Dia do Amigo






Porque escolheram dia 20 de julho para ser o Dia do Amigo, eu não sei. Mas dá a chance de agradecer aos poucos e maravilhosos amigos que conquistei nesta vida.

Como costumo dizer, Meus amigos são meus amigos apesar de mim.

São pessoas que conheci nas mais diversas realidades, nas mais diferenciadas experiências, nas mais complexas situações, nas mais épicas circunstâncias, nas mais prosaicas confusões e nas mais divertidas configurações. A forma como as conheci, realmente não importa.

O que importa é que, quando me sinto só, "só de não ter jeito", há sempre um amigo com quem eu possa contar, alguém que vem para me dar uma boa sacudida ou mesmo um colo temporário.

Gostaria de enumerar os amigos aqui, mas simplesmente não tenho como. Citar nomes e correr o risco de que, com a minha memória "privilegiada" da era do cobol, esqueça alguém de fundamental importância na minha aprendizagem e vida, não pareceria justo.

Basta dizer que são minha família escolhida. São eles que me refrigeram o cotidiano. A eles devo, muitas vezes, a minha sanidade.

Imaginar um mundo se amizades seria criar na mente um mundo doente ao extremo. A amizade é o que faz com que insistamos em crer na nossa prórpia raça e teimemos em vivermos enquanto uma sociedade organizada.

As amizades salvam vidas, a cada instante.



Tetê Macambira

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mabel





by Fernando Lima

aparentemente dócil e de humor levemente alterado, a iguana Mabel conquista o leitor com suas pequenas reflexões sarcásticas. E melhora! mais à frente, Mabel adota umr ato de laboratório e um ornitorrinco. ^_^ Coisas de Fernando Lima (eu, particularmente, adorei - amooooooooooooo ornitorrincos; depois dos dragões, claaaro!!)

Para acessar as tirinhas no site do Armagem Herética, basta clicar sobre o título. Boa diversão!