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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Português –AB - 8ºEF - 1ª etapa


Professora Tetê Macambira -


PARTE I FICHA DE LEITURA DOS PARADIDÁTICOS “SE LIGA” E “MANUAL DA SOBREVIVÊNCIA FAMILIAR”

01. Preencha abaixo os dados solicitados para cada um dos paradidáticos estudados em classe:

“Se Liga!”

“Manual da Sobrevivência Familiar”

Autor

Protagonista

Tema Principal

02. Explique, com as suas próprias palavras, o porquê dos títulos das seguintes obras: (02 escores)

a) “Se Liga!”

b) “Manual da Sobrevivência Familiar”

03. Cite DOIS problemas que o protagonista de “Manual da Sobrevivência Familiar” teve que enfrentar, comentando-os: (04 escores)

04. Por que, para o eu-lírico de “Manual da Sobrevivência Familiar”, havia uma necessidade de se fazer um manual para sobreviver à própria família?(1 escore)

05. Ainda sobre o livro “Manual da Sobrevivência Familiar”, responda (04 escores)

a) Por que o narrador e sua família foi morar com o avô do narrador?

b) Além deles, que outras pessoas dividiam o espaço físico da construção do avô?

c) Era – segundo o narrador – uma convivência pacífica sempre? Por quê?

d) Como poderia ser descrito o relacionamento do narrador com os avós, mais precisamente com o avô?

06. No livro “Se Liga!”, há várias situações que pretendem alertar o jovem. Cite duas delas que mais lhe chamaram a atenção e explique porquê. (4 escores)

07. Ainda sobre o livro “Se Liga!”, há situações que envolvem a família. Cite uma. (1 escore)

08. Relacionando as duas obras lidas, responda: (02 escores)

a) Qual o tema em comum entre as duas obras?

b) A que público se destinam?

PARTE II – GRAMÁTICA

09. Sublinhe e classifique sintaticamente todos os sujeitos das frases seguintes (07 escores)

a) Estou muito bem disposto, hoje. ______________________________________

b) O Miguel e o Pedro foram para Paris. ______________________________

c) Eles chegam no sábado. _________________________________________

d) Dizem que está imenso frio na Europa. _____________________________

e) Perceberam tudo quanto vos disse? ________________________________

f) Só muito mais tarde do que eu contava, chegaram os meus convidados. ___________________________________________________

g) Tem feito um calor terrível ____________________________________

10. Insira a expressão entre parênteses entre o sujeito e o verbo, na linha pontilhada, utilizando-se de vírgulas.

(Expressões intercaladas)

Exemplo:

O presidente ........ reformulou seus pontos de vista. (durante a última reunião com seus assessores)

O presidente, durante a última reunião com seus assessores, reformulou seus pontos de vista.

a. O vendedor ....... apresentou-nos um plano de pagamento apetitoso. (como último recurso)

b. O homem ....... tem de usar seu poder recreativo para superá-los. (diante de maiores obstáculos)

11. Reescreva as sentenças abaixo segundo o modelo:

(Voz passiva analítica/ voz passiva sintética)

Exemplo 1:

Foi montada nova fábrica no perímetro urbano.

Montou-se nova fábrica no perímetro urbano.

Exemplo 2:

Foram montadas novas fábricas no perímetro urbano.

Montaram-se novas fábricas no perímetro urbano

a. São realizadas semanalmente importantes partidas de futebol.

b. Convém que sejam mantidos os horários do ano passado.

c. Foi feita importante pesquisa de opinião pública.

12. Pluralize a expressão em destaque e, caso esta funcione como sujeito, faça o ajuste da forma verbal:

(Voz passiva sintética/ sujeito indeterminado.)

Exemplo 1:

Fala-se de séria crise internacional.

Fala-se de sérias crises internacionais.

Exemplo 2:

Encontra-se à venda importante coleção.

Encontram-se à venda importantes coleções.

a. É bom que se reserve antes a passagem.

b. Falou-se de possível desfalque na seleção.

c. Mencionou-se o nome escolhido.

d. Espero que se mantenha o critério atual.

13. Pluralize a expressão em destaque e, caso esta funcione como sujeito, faça o ajuste na forma verbal.

(Concordância verbo- sujeito.)

Exemplos 1:

Há de surgir nova fonte de energia.

Hão de surgir novas fontes de energia.

Exemplo 2:

É bem possível que não haja a tal reunião.

É bem possível que não haja as tais reuniões.

a. Esteve no meu gabinete o representante do sindicato.

b. Assim que começou o debate, alguns candidatos se retiraram.

c. Sempre que houver reclamação, providências terão de ser tomadas.

14. Sublinhe, , nas seguintes frases, o predicativo de sujeito. (03 escores)

Mariano Paulo está nervoso.
(...)
– Sei que a memória da tua mãe é uma coisa preciosa, mas não somos nós que fazemos a vida.
(...)
– Talvez aches que há nisto um pouco de egoísmo. Realmente, não sou perfeito. Mas, para lá do que possas julgar, é neste chão, nesta casa que eu penso.

Carlos de Oliveira - Casa na Duna

15. Uso do S e Z

Complete as palavras com S ou Z. A seguir, copie as palavras na forma correta:

pou....ando: .............................

pre....ença: ..................................

arte.....anato: ...........................

escravi.....ar: ................................

nature.....a: ..............................

va.....o: .......................................

pre.....idente: ............................

fa.....er: .....................................

Bra.....il: .................................

civili....ação: ................................

Português - AB - 9°EF - 1ª etapa


Professora: Tetê Macambira –  1ª etapa
 
TEXTO:
 
 

A CASA DE BONECAS

Katherine Mansfield (1888-1923)

Quando a querida Sra. Hay voltou à cidade, depois de ter passado uns dias com os Burnells, mandou para as crianças uma casa de boneca. Era tão grande, que o carroceiro e Pat carregaram-na para o quintal, e ali ficou, em cima de dois caixotes de madeira, junto da porta da despensa. Não havia perigo de se estragar – era verão. Além disso, o cheiro de tinta talvez tivesse passado, no momento de levá-la para dentro. Porque, é verdade, o cheiro de tinta que vinha daquela casa de boneca ("Muita gentileza de parte da velha Sra. Hay, muita gentileza e generosidade"), o cheiro de tinta era bem capaz de fazer alguém ficar seriamente doente, achava a tia Beryl. Até mesmo após ser desembalada. E ao ser...

Lá estava a casa de boneca, de um verde escuro, oleosa, espinafre, realçado com amarelo claro. Suas duas chaminezinhas, coladas no teto, eram pintadas de vermelho e branco, e a porta, brilhando com o seu verniz amarelo, parecia um caramelo. Quatro janelas, janelas de verdade, eram divididas em caixilhos en-vidraçados por uma larga lista verde. Havia, também, um pequeno pórtico pintado de amarelo, com grandes protuberâncias de tinta solidificada pendendo ao longo da sua beirada. Mas que casinha perfeita! Quem é que poderia incomo-dar-se com o cheiro? Fazia parte da alegria, da novidade.

– Alguém abra logo!

O trinco, de um lado, estava fortemente fechado. Pat forçou-o com seu canivete, toda a fachada da casa girou para a frente e... Pronto! Todos olharam juntos, ao mesmo tempo, para a sala de visitas e a sala de jantar, a cozinha e os dois quartos. Aquilo sim que era maneira de se abrir uma casa! Por que todas não se abriam daquele jeito? Era muito mais emocionante do que espiar pela fresta de uma porta e ver um pequeno hall com uma chapeleira e dois guarda-chuvas! Era aquilo – não era? – que você gostaria de saber sobre uma casa ao levar a mão à maçaneta. Talvez fosse assim que, ao dar uma volta silenciosa com um anjo, Deus abrisse as casas, tarde da noite...

– Oooh!

A exclamação das filhas dos Burnells soou como se elas estivessem desesperadas. A casa era tão maravilhosa! Demais para elas! Nunca tinham visto nada igual na vida. Todos os cômodos, forrados com papel de parede! Havia quadros nas, paredes, pintados no papel, com molduras douradas e tudo. Um carpete vermelho cobria o assoalho inteiro, salvo o da cozinha. Cadeiras de feltro vermelho na sala de visitas, verde na sala de jantar. Mesas, camas com lençóis e colchas de verdade, um berço, um fogão, um aparador com pratinhos e um jarro grande. O que mais agradou a Kezia, porém, o que ela adorou, foi o lampião, no centro da mesa da sala de jantar. Um lindo lampiãozinho, cor de âmbar, com um globo branco. Já estava até cheio, prontinho, embora, é claro, não pudesse ser aceso. Mas havia dentro dele algo que parecia querosene e que, sedido, se mexia.

Papai e mamãe bonecos estavam encarrapachados, imóveis, como se houvessem desmaiado, na sala de jantar, e seus dois filhos, que dormiam no andar de cima, eram grandes demais para a casa de boneca. Pareciam não pertencer a ela. Mas o lampião era perfeito. Sorria para Kezia, dizendo "eu moro aqui". O lampião era de verdade.

Na manhã seguinte, indo para a escola, as filhas dos Burnells não conseguiam andar tão depressa quanto gostariam. Elas estavam loucas de vontade de contar para todo o mundo, de descrever, de... em suma, de gabar-se da casa de boneca delas antes que a campainha tocasse.

– Sou eu que vou contar – disse Isabel, – porque eu sou a mais velha. E vocês duas podem completar depois. Mas eu conto primeiro. Não havia o que contestar. Isabel era uma mandona, sempre tinha razão, e Lottie e Kezia conheciam muito bem os poderes que detinha por ser a mais velha. Elas passaram céleres no meio dos ranúnculos da beira da estrada e não disseram nada.

– E sou eu que vou escolher quem a vê primeiro. Mamãe disse que posso.

Tinha sido combinado que, enquanto a casa de boneca permanecesse no quintal, podiam convidar as meninas da escola, duas de cada vez, para virem vê-la. Não podiam ficar para o chá, é claro, nem perambular dentro de casa. Só ficar quietinhas, no quintal, enquanto Isabel mostrava as maravilhas dela, e Lottie e Kezia permaneciam olhando, deleitadas...

No entanto, embora se apressassem o mais que podiam, ao chegarem à cerca coberta de pixe do pátio dos meninos, o sinal tocou. Tiveram tempo apenas de tirar rapidamente os chapéus e entrar na fila antes do início da chamada. Azar. Isabel tentou compensar assumindo uns ares importantes e misteriosos, cochichando, com a mão escondendo a boca, para as meninas que estavam perto dela:

– Preciso contar uma coisa para vocês na hora do recreio.

Chegou a hora do recreio, e cercaram Isabel. As meninas da turma quase brigaram para passar os braços em torno dela, puxá-la à parte, sorrir bajuladoramente, ser a sua amiga especial. Ela concedeu uma verdadeira audiência debaixo dos gigantescos pinheiros, num canto do pátio. Acotovelando-se, dando risadinhas, as meninas comprimiam-se. As duas únicas que se mantinham fora do círculo eram as que sempre ficavam de fora, as Kelveys. Elas não fariam a besteira de chegar perto das Burnells.

O caso era que a escola em que as Burnells estavam não era absolutamente aquela que os pais teriam escolhido, se houvesse possibilidade de escolha. Mas não havia. Era a única escola num raio de várias milhas. Em conseqüência, as meninas do lugar – as filhas do juiz, do doutor, do dono do armazém, do leiteiro – eram obrigadas a misturar-se. Para não falar de igual número de meninos grosseiros, broncos. Mas a linha divisória tinha de ser traçada em algum ponto. Este ponto eram as Kelveys. Muitas crianças, inclusive as Burnells, estavam proibidas de falar com elas. Passavam pelas Kelveys de cabeça empinada, e, como elas davam o tom geral de comportamento, todo mundo evitava as Kelveys. Inclusive a professora tinha uma voz particular para elas e um sorriso significativo para as outras meninas, quando Lil Kelvey vinha até a sua mesa com um buquê de flores horrivelmente vulgares.

Eram filhas de uma lavadeirazinha despachada e trabalhadora, que batia de porta em porta todos os dias. Uma coisa horrível mesmo. E onde andava o Sr. Kelvey? Ninguém sabia, ao certo. Dizia-se que estava preso. De modo que elas eram filhas de uma lavadeira e de um presidiário. Otima companhia para as filhas dos outros! E tinham mesmo jeito disso! Era difícil entender porque a Sra. Kelvey fazia com que elas dessem tanto na vista assim. Na verdade, vestia-as com "pedaços" que lhe foram dados pelas pessoas para quem trabalhava. Lil, por exemplo, que era uma menina decidida, desembaraçada, sardenta, ia para a escola com um vestido feito de uma avental de sarja verde dos Burnells, com mangas de feltro vermelho feitas com as cortinas dos Logans. O chapéu dela, empoleirado no topo da sua testa alta, era um chapéu de mulher adulta, que pertenceu outrora a Miss Lecky, a gerente dos Correios. Era virado para cima na parte de trás e enfeitado com uma grande pena escarlate. Lil parecia um espantalho! Era impossível não rir dela. E a sua irmãzinha, nossa Else, usava um vestido branco comprido, uma espécie de camisola, e um par de botinas de menino. Mas, vestisse o que quisesse, nossa Else continuaria tendo um aspecto esquisito. Era uma menina magricela, de cabelos curtos e olhos enormes e solenes – uma corujinha branca. Ninguém nunca a tinha visto sorrir. Quase não falava. Vivia agarrada à irmã, sempre grudada num pedaço da saia de Lil. Onde a outra ia, nossa Else ia atrás. No pátio, na estrada a caminho da escola ou voltando para casa, lá vinha Lil na frente e nossa Else agarrada a ela atrás. Somente quando queria alguma coisa, ou estava cansada, nossa Else dava um puxão em Lil, e ela parava e virava para trás. As Kelveys sempre se entendiam.

Agora elas rondavam por perto: ninguém poderia impedi-las de escutar. As meninas viraram-se e sorriram zombeteiramente para elas. Lil, como de costume, dava o seu sorriso abobalhado e envergonhado, e nossa Else limitava-se a ficar olhando.

A voz de Isabel, toda prosa, continuava contando. O carpete fez grande sensação, assim como as camas com lençóis e colchas de verdade, e o fogão, com a portinha do forno.

Quando terminou, Kezia interveio.

– Você se esqueceu do lampião, Isabel.

– Ah é! – disse Isabel. – Tem um lampiãozinho, todo de vidro amarelo com um globo branco, em cima da mesa da sala de jantar. Até parece de verdade.

– O lampião é o melhor de tudo! – exclamou Kezia.

Ela achava que Isabel não estava dando bastante importância ao lampiãozinho. Mas ninguém prestou atenção: Isabel escolhia as duas que iriam voltar para casa com elas, à tarde, para ver a casinha de boneca. Escolheu Emmie Cole e Lena Logan. Sabendo que teriam a sua vez, as outras se desmancharam em gentilezas para com Isabel. Uma a uma, punham o braço em volta da cintura dela e a puxavam à parte. Tinham uma coisa para contar, um segredo.

– Isabel é minha amiga.

Só as pequenas Kelveys se afastaram, esquecidas, sem mais nada para ouvir. Passaram-se os dias, e quanto mais crianças viam a casa de boneca, mais se propagava a sua fama. Tornou-se o único tema, a coqueluche. A única pergunta que se ouvia era:

– Viu a asa de boneca das Burnells? Não é uma graça?

– Você não viu? Ah, eu vi!

Até mesmo a hora do lanche era consagrada a se falar dela. As meninas sentavam-se debaixo dos pinheiros comendo seus grossos sanduíches de carneiro e enormes pedaços de bolo de fubá besuntados com manteiga. Como sempre, as Kelveys ficavam sentadas o mais perto que podiam, nossa Else agarrada a Lil, ouvindo também, enquanto mastigavam seus sanduíches de presunto, embrulhados num jornal empapado de vermelhas manchas de gordura.

– Mamãe – perguntou Kezia um dia, – posso convidar as Kelveys uma vez?

– Claro que não!

– Mas por quê?

– Não amole, Kezia. Você sabe muito bem porquê. Finalmente, todas as meninas tinham visto, menos elas. Naquele dia, o tema esmoreceu. Hora do lanche. As meninas estavam juntas debaixo dos pinheiros e, de repente, ao olharem para as Kelveys comendo no jornal delas, sempre sozinhas, sem- pre ouvindo, sentiram vontade de serem malvadas. Emmie Cole deu início à implicância.

– Lil Kelvey vai ser empregada doméstica quando crescer.

– Oooh, que horror! – fez Isabel Burnell, lançando um olhar cúmplice para Emmie.

Emmie engoliu o seu lanche com um ar cheio de subentendidos e balançou a cabeça para Isabel, como tinha visto sua mãe fazer naquelas ocasiões.

– É verdade... é verdade... é verdade – disse.

Os olhos de Lena Logan chamejaram.

– Vou perguntar a ela – sibilou.

– Melhor não – disse Jessie May.

– Ah, não tenho medo! – exclamou Lena.

De repente, ela soltou um gritinho agudo e pôs-se a dançar diante das coleguinhas.

– Olhem! Olhem para mim! Olhem só para mim! disse.

E esgueirando-se, deslizando, arrastando o pé, ocultando o riso com a mão, Lena foi para cima das Kelveys. Lil ergueu os olhos do seu lanche. Embrulhou rapidamente o resto dele. Nossa Else parou de mastigar. O que ia acontecer?

– É verdade que você vai ser empregada doméstica quando crescer, Lil Kelvey? – perguntou Lena com uma voz estridente.

Silêncio profundo. Em vez de responder, Lil apenas deu um sorriso abobalhado, envergonhado. Ela fingia não ter ouvido a pergunta. Que decepção para Lena! As outras meninas caíram na gargalhada.

Lena não podia aguentar aquela caçoada. Pôs as mãos nas cadeiras e exclamou arrogante, dando despeitadamente de ombros:

– Ahn, também o pai de vocês está na prisão.

Era tão formidável ter dito aquilo, que todas as meninas saíram correndo juntas, profunda, profundamente contentes, numa alegria selvagem. Uma delas encontrou uma corda comprida, e elas começaram a pular. Nunca pularam tão alto, entraram e saíram da corda tão depressa, nem fizeram coisas tão arrojadas como naquela manhã. A tarde, Pat veio buscar as Burnells com a charrete, e foram para casa. Tinham visitas, Isabel e Lottie, que adoravam visitas, subiram para trocar os aventais. Mas Kezia escapuliu para os fundos. Não havia ninguém por perto. Ela começou a balançar-se no portão branco do quintal. Pouco depois, olhando para a estrada, viu dois pequenos pontos. Eles foram crescendo, vinham em direção a ela. Agora podia ver que um estava na frente e o outro logo atrás. Agora podia ver que eram as Kelveys. Kezia parou de balançar. Pulou do portão e quase saiu correndo. E, então, hesitou. As Kelveys se aproximavam e, ao lado delas, caminhavam as suas sombras, compridíssimas, estendendo-se através da estrada, as cabeças nos ranúnculos.

Kezia tornou a trepar no portão. Tomou uma decisão. Balançou para fora.

– Oi! – fez para as Kelveys que passavam.

Elas ficaram tão atônitas, que até pararam. Lil deu o seu sorriso ababalhado. Nossa Elsa ficou olhando.

– Podem vir ver a nossa casa de boneca, se quiserem – disse Kezia, esfregando o dedo do pé no chão.

Lil corou e sacudiu vivamente a cabeça.

– Por quê não? – perguntou Kezia.

Lil respirou fundo, nervosamente.

- Sua mãe disse pra minha que era pra você não falar com a gente.

– Ahh – fez Kezia, sem saber o que replicar. – Não tem importância. Podem espiar, assim mesmo, a nossa casa de boneca. Venham. Não tem ninguém olhando.

Lil sacudiu a cabeça com maior veemência ainda.

– Vocês não querem? – perguntou Kezia.

De repente, deram um puxão na saia de Lil. Ela virou-se para trás. Nossa Else implorava com os olhos enormes, fazia cara feia – queria ver. Por um momento, Lil fitou a irmã com uma expressão de dúvida. Mas nossa Else puxou de novo a saia dela. Lil deu um passo adiante.

Kezia foi na frente. Feito dois gatos de rua, as duas a seguiram pelo quintal até onde estava a casa de boneca.

– Olhem! – mostrou Kezia.

Houve uma pausa. Lil respirava profundamente, quase bufando. Nossa Else estava silenciosa como uma pedra.

– Vou abrir pra vocês – disse Kezia gentilmente.

Abriu o trinco, e as meninas viram o interior da casa.

– Tem uma sala de visitas e uma sala de jantar. E isto é o...

– Kezia!

Ah, que pulo elas deram!

– Kezia!

Era a voz da tia Beryl. Elas se viraram. Da porta dos fundos, tia Beryl olhava como se não pudesse acreditar no que estava vendo.

– Você ousou convidar as Kelveys para virem até o quintal?! – exclamou a voz fria e furiosa. – Você sabe, tão bem quanto eu, que está proibida de falar com elas! Vão embora, meninas, vão já embora! E não voltem mais!

Tia Beryl foi até o quintal e enxotou-as, como se enxotasse galinhas.

– Fora, fora, imediatamente! – gritou, fria e arrogante.

Não foi preciso dizer-lhes aquilo duas vezes.

Ardendo de vergonha, apertando-se uma à outra, Lil arrastava a irmã, nossa aturdida Else, como se fosse sua mãe, atravessaram sem saber de que jeito o grande quintal e passaram comprimidas pelo portão branco.

– Menina travessa, desobediente! – tia Beryl disse a Kezia, azeda, e bateu violentamente a porta da casa de boneca.

A tarde havia sido terrível. Recebera uma carta de Willie Brent, uma carta tremenda, ameaçadora, dizendo que se ela não viesse encontrá-la naquela noite em Pulman’s Bush, ele viria até o portão e perguntaria por quê! Mas agora, que ela assustara aqueles ratinhos das Kelveys e dera uma boa bronca em Kezia, seu coração estava mais leve. Aquela pressão horrível cessara.

Retornou à casa cantarolando.

Quando as Kelveys ficaram bem longe da vista dos Burnells, sentaram-se para descansar um pouco numa grande manilha vermelha à beira da estrada. As bochechas de Lil ainda estavam ardendo. Ela tirou o chapéu com a pena e colocou-o sobre os joelhos. As duas olharam sonhadoras, por cima do campo de feno, além do remanso do ribeirão, para a cerca de madeira do curral, onde as vacas dos Logans esperavam para serem ordenhadas. Em que as Kelveys estariam pensando?

Agora, nossa Else apertou-se mais à irmã. Já tinha se esquecido daquela mulher furiosa. Estendeu um dedinho, afagou a pena do chapéu e sorriu o seu sorriso raro.

- Eu vi o lampiãozinho – disse ela mansamente.

Daí, ambas tornaram a ficar em silêncio.

 

Tradução de Edla Van Steen e Eduardo Brandão

 
 

Mulheres na Literatura

Muito bonita a mensagem do conto A casa de bonecas, da Katherine Mansfield. Muito inteligente dela criar uma estória de malediscências entre meninas ainda tão pequenas, buscando chamar a atenção dos adultos para os filhos que “constroem”, e que sensível perceber como o olhar voltado para um detalhe tão simples pode modificar todo o rumo do conto, o rumo da própria vida.

As arbitrariedades criadas pelos adultos que podem corromper a inocência das crianças; o preconceito ridículo que é passado como uma herança (e que péssima herança) para meninas que começam a conhecer a vida são momentos fortes do conto que nos fazem pensar, desabafar e colidir com nossa própria sociedade e seus “valores”.

PARTE I – INTYERPRETAÇÃO E FICHA DE LEITURA DOS PARADIDÁTICOS “HISTÓRIAS SOBRE ÉTICA” E “ A CORRENTE DA VIDA”

01.

PARTE II – GRAMÁTICA

08. Explique como diferenciar uma oração subordinada substantiva de uma oração surbordinada adjetiva. (2 escores)

 
 
 

09. Complete as frases utilizando o plural dos substantivos corretamente:

a. Todos os _____________ foram destituídos do cargo por serem corruptos. (vice-diretor)
b. Os meninos dão muitos ______________ quando jogam futebol. (pontapé)
c. Marina adora ____________ e cultiva-os em seu jardim. (amor-perfeito)
d. As aulas serão dadas às _____________. (segunda-feira)
e. Há muitos ____________ no meu quintal. (beija-flor)
f. Joana tem dois bebês ______________. Que sorte! (recém-nascido)

10. O plural de terno azul-claro e terno verde-mar é:

a) ternos azuis-claros; ternos verdes-mares

b) ternos azuis-claros; ternos verde-mares

c) ternos azul-claro; ternos verde-mar

d) ternos azul-claros; ternos verde-mar

e) ternos azuis-claros; ternos verde-mar

12. Classifique a seguinte oração sublinhada:

Julieta ficou à janela na esperança de que Romeu voltasse.

13.

Português - AB - 9°EF - 1ª etapa

Avaliação Bimestral de Português  - 9º do E.F. tarde
Professora: Tetê Macambira – 28 de março de 2008 – 1ª etapa
 
TEXTO:

XX
A DANÇA

(Voltaire)

Setoc devia ir para assuntos comerciais, à ilha de Serendib; mas o primeiro mês de seu casamento, que é, como se sabe, a lua de mel, não lhe permitia deixar a esposa, nem supor que jamais pudesse deixá-la: pediu a Zadig que fizesse a viagem em seu lugar. “Ai! — suspirava este. — Devo ainda colocar maior distância entre mim e a bela Astartéia?! Mas estou na obrigação de servir a meus benfeitores”. Assim disse, chorou e partiu.

Não demorou muito em Serendib sem que fosse considerado um homem extraordinário. Tornou-se árbitro. de todas as questões entre os negociantes, amigo dos sábios e conselheiro do pequeno número de pessoas que ouvem conselhos. O rei manifestou desejos de o ver e ouvir. Reconheceu logo o valor de Zadig; confiou na sua sabedoria e fez dele seu amigo. A familiaridade e estima do rei fizeram-no tremer. Dia e noite recordava os males que lhe haviam acarretado as boas graças de Moabdar. “Se agrado ao rei — pensava ele, não estarei perdido?” Não podia, contudo, furtar-se às gentilezas da Sua Majestade: pois cumpre confessar que Nabussan, rei de Serendib, filho de Nussanab, filho de Nabassun, filho de Sanbusná, era um dos melhores príncipes da Ásia e que, quando se lhe falava, tornava-se difícil deixar de amá-lo.

Esse bom príncipe era sempre louvado, enganado e roubado; esforçavam-se, à porfia, a ver quem mais lhe pilhava os tesouros. O recebedor geral da ilha de Serendib dava o exemplo, seguido fielmente pelos outros. O rei sabia-o: por várias vezes mudara de tesoureiro; mas não pudera mudar o costume estabelecido de dividir os proventos do rei em duas partes, a menor das quais cabia sempre à Sua Majestade, e a maior aos administradores.

O rei Nabussan confiou seus cuidados ao sábio Zadig.

— Tu que sabes tão belas coisas — disse-lhe ele, — não saberias encontrar-me um tesoureiro que não roube?

— Sem dúvida — respondeu Zadig. — Sei um meio infalível de conseguir-lhe um homem de mãos limpas.

O rei, encantado, perguntou-lhe, abraçando-o, como deveria proceder.

— É só fazer dançar todos aqueles que se candidatem à dignidade de tesoureiro, e aquele que dançar com mais leveza será infalivelmente o homem mais honrado.

— Estás zombando — disse o rei. — Eis um modo bastante esquisito de escolher um tesoureiro... Como? Julgas então que aquele que fizer melhor um entrechat será o financista mais probo e mais hábil?

— Não garanto que seja o mais hábil — retrucou Zadig, — mas asseguro que será indubitavelmente o mais honesto.

Falava Zadig com tamanha segurança que o rei o julgou possuidor de algum segredo sobrenatural para reconhecer os financistas.

— Não me agrada o sobrenatural — disse Zadig, — sempre detestei as pessoas e livros mágicos: se Vossa Majestade deixar-me fazer a prova que lhe proponho, há de convencer-se de que o meu segredo é a coisa mais simples e mais fácil deste mundo.

Nabussan, rei de Serendib, ficou muito mais espantado de ouvir que esse segredo era simples do que se lho houvessem apresentado como um milagre.

— Está bem — disse ele, — fase como bem entenderes.

— Deixe o caso comigo — tornou Zadig — e Vossa Majestade ganhará com essa experiência muito mais do que supõe.

No mesmo dia mandou afixar que todos os pretendentes ao cargo de recebedor-mor dos dinheiros de Sua Graciosa Majestade Nabussan, filho de Mussanab, deveriam apresentar-se, vestidos de seda leve, a 1a. da lua do crocodilo, na antecâmara do rei. Ali compareceram, em número de sessenta e quatro. Tinham reunido rabequistas num salão vizinho; tudo achava pronto para o bailado; mas a porta desse salão estava fechada, e, para ali entrar, era preciso passar por uma pequena galeria bastante escura. Um guarda vinha buscar e introduzir cada candidato, um após outro naquela passagem, onde o deixava sòzinho alguns minutos. O rei, que estava a par de tudo, expusera todos os seus tesouros na referida galeria. Depois que todos os pretendentes chegaram ao salão, Sua Majestade lhes ordenou que dançassem. Jamais se dançou tão pesadamente e com menos graça; tinham todos a cabeça baixa, o busto encolhido, as mãos coladas ao corpo. “Que velhacos!” — dizia Zadig em voz baixa. Um só dentre eles dançava com agilidade, de cabeça alta, olhar seguro, braços estendidos, corpo direito e jarretes firmes; “Ah! que homem honrado! que excelente homem!” — dizia Zadig. O rei abraçou aquele bom dançarino, proclamou-o tesoureiro, e todos os outros foram punidos e multados com a maior justiça do mundo: pois cada qual, durante o tempo em que estivera na galeria, atulhara os bolsos e mal podia andar. Muito vexado se sentiu o rei com a natureza humana pelo fato de haver, entre aqueles sessenta e quatro dançarimos, sessenta e três gatunos. A galeria escura foi chamada o corredor da tentação Se fosse na Pérsia, teriam empalado aqueles sessenta e três senhores; em outros países, formariam um tribunal de justiça que consumiria nas custas do processo o triplo do dinheiro roubado e que nada reporia nos cofres do rei; em outro reino, os sessenta e três se justificariam plenamente e fariam cair em descrédito aquele dançarino tão leviano: em Serendib, apenas foram condenados a aumentar o tesouro público, pois Nabussan era muito indulgente

Era também muito reconhecido: deu a Zadig uma quantia mais considerável do que qualquer tesoureiro jamais roubara a el-rei seu senhor. Zadig se utilizou da soma para enviar correios a Babilônia, que deviam informá-lo do destino de Astartéia. A voz tremeu-lhe ao dar essa ordem, o sangue lhe fluiu para o coração, seus olhos cobriram-se de trevas, a alma esteve a ponto de abandoná-lo. O mensageiro partiu, Zadig o viu embarcar; entrou no palácio, sem ver ninguém, como se estivesse em seu quarto, e pronunciando a palavra amor.

— Ah! o amor — disse o rei, — é precisamente do que trata; adivinhaste a minha pena. És um grande homem! Espero que me ensines a descobrir uma mulher acima de qualquer suspeita, como me fizeste encontrar um tesoureiro desinteressado.

Zadig, voltando a si, prometeu servi-lo no amor como em finanças, embora a coisa lhe parecesse ainda mais difícil.

PARTE I – INTYERPRETAÇÃO E FICHA DE LEITURA DOS PARADIDÁTICOS “HISTÓRIAS SOBRE ÉTICA” E “ A CORRENTE DA VIDA”

01.

PARTE II – GRAMÁTICA

08. Considere a seguinte resposta ( extraída do seguinte sítio da net: http://br.answers.yahoo.com/question) e responda á questão que se segue: (1 escore)

“Oração subordinada _____________ é a que em relação à oração principal equivale a um ______________; assim dizer: "Desejo que sejas feliz", donde "que sejas feliz" é a subordinada ____________; é o mesmo que dizer: "Desejo a tua felicidade, sendo "felicidade" o ____________. Note que nem sempre é possível tal substituição; no período "Vi que não podiam com ele" não podemos recorrer à substituição da subordinada ____________ pelo equivalente _______________, mas observe que essa subordinada funciona como objeto de "vi"; ora, como os objetos são constituídos de _____________, é claro que a oração que funciona como objeto é também ____________ .”

As lacunas podem ser preenchidas por uma mesma palavra, apenas alterando, de acordo com a necessidade, o gênero e o número.

Ø Que palavra completaria corretamente as lacunas acima?

09. Complete as frases utilizando o plural dos substantivos corretamente:

a. Dona Candoca faz uns ____________ deliciosos. (pé-de-moleque)
b João ficou com ____________ depois que sua namorada saiu com um amigo. (dor-de-cocovelo)
c. Não suporto os____________ da campainha. (trim-trim)
d. Gabriel tem olhos ____________. São lindos! (azul-claro)
e. Os ______________ estão custando uma nota preta. (guarda-roupa)
f. Com as _____________ podemos fazer chás e saladas muito refrescantes. (erva-doce)

10. O plural de terno azul-claro e terno verde-mar é:

a) ternos azuis-claros; ternos verdes-mares

b) ternos azuis-claros; ternos verde-mares

c) ternos azul-claro; ternos verde-mar

d) ternos azul-claros; ternos verde-mar

e) ternos azuis-claros; ternos verde-mar

11. Classifique a seguinte oração sublinhada:

Português - AP - 9°EF - 2ª etapa - 2008

Avaliação Parcial de Português

9º do ensino fundamental – 2ª etapa – 07 de maio de 2008

Profª.:Tetê Macambira – Total de escores: 50 ( 44 +

PARTE I – SOBRE O PARADIDÁTICO “DONA CASMURRA E SEU TIGRÃO”

01. Justifique o título da obra de Ivan Jaf. (02 escores)

02. Descreva física e moralmente, os protagonistas do romance “Dona Casmurra e Seu Tigrão”, com -pelo menos – dois adjetivos para cada um dos protagonistas. (04 escores)

03. Por que Barrão precisou ler o livro “Dom Casmurro” e quem o ajudou nessa empreitada? (02 escores)

04. Classifique as personagens, quanto à: função, caracterização, apresentação e evolução: (08 escores)

a) Lu >

b) Pámela >

PARTE II – GRAMÁTICA

05. Leia o seguinte trecho:

E se o cara não se intimidasse com o tamanho do adversário e quisesse bancar o herói, Barrão partia para o ataque.”

a) Classifique a oração subordinada adverbial: (01 escore) ____________________

b) Sublinhe, no período acima, os verbos. (03 escores)

c) Circule as conjunções. (02 escores)

d) Qual a oração principal? Transcreva-a aqui: (01 escore)

e) Que relação a oração subordinada adverbial estabelece com a oração principal? (01 escore)

06. Leia o seguinte trecho:

Quando afinal chegou em casa, encontrou sua mãe chorando.”

a) Sublinhe, no período desta questão, a oração subordinada adverbial. (01 escore).

b) Circule a conjunção. (01 escore).

c) Classifique a oração subordinada adverbial: (01 escore) __________________

d) Transcreva aqui a oração principal, sublinhando o verbo: (02 escores)

07. Dê o respectivo adjetivo pátrio: (06 escores)

a) São Paulo (capital):

b) São Paulo (estado):

c) Rio de Janeiro (estado):

d) Rio de Janeiro (capital) :

e) Brasil : brasileiro ou _______________________

f) Minas Gerais: mineiro ou ___________________

08. Use, se necessário, o acento diferencial: (06 escores)

a) Barrão _________ homofobia (ter)

b) Lu e Barrão ________ ciúmes dos respectivos namorados (ter)

c) Pâmela ___________ ver Paulão na aula de música. (vir)

d) Paulão e Barrão ___________ estudar juntos em tua casa. (vir)

e) Os esportes marciais ___________ muitos alunos violentos. (deter)

f) O jiu-jitsu ________________ o título de esporte marcial mais violento. (deter)

09. A que países se referem os adjetivos pátrios compostos destacados nas frases abaixo? (04 escores)

a) Lutas marciais sino-japonesas. ___________________________________

b) Leituras machadianas hispano-germânicas. ___________________________________

c) Amizades virtuais luso-brasileiras. _______________________________

d) Acordos ítalo-coreanos. _________________________

10. Observe a seguinte frase:

“Fez um esforço tão grande para prestar atenção que saiu com uma dor de cabeça e com vontade de bater em todos os donatários das malditas capitanias hereditárias.”

a) Classifique a oração subordinada adverbial, em destaque: (01 escore) _________________________________________

b) Além da que se encontra sublinhada no trecho desta questão, há outra, uma oração subordinada adverbial final. Sublinhe-a. (01 escore)

c) Transcreva aqui a oração principal: (01 escore)