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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

No Anorexia!


Campanha com modelo anoréxica rouba a cena na Semana de Milão
Uma campanha publicitária que usa uma modelo anoréxica está roubando a cena na abertura da Semana Internacional da Moda de Milão.

Os anúncios, expostos em jornais e outdoors italianos, mostram uma modelo nua sob os dizeres "No Anorexia" ("Não Anorexia"). A modelo é a jovem francesa Isabelle Caro, que pesa apenas 31 quilos.

A campanha é cria do italiano Oliviero Toscani, conhecido pelas polêmicas campanhas da Benetton nos anos 80 e 90 que usavam fotos abordando temas como Aids, guerra e racismo.

Em entrevista à BBC Brasil, Toscani defendeu a nova campanha, dizendo que, em contraste com o corrente no mundo da publicidade de moda, ela busca uma aproximação com a "condição humana".

"Toda a publicidade de moda e as revistas e os jornais de moda se afastaram dela, se tornaram abstratas, esvaziaram o ser humano. A gente olha essas campanhas e vemos o vazio, e dizemos a nos mesmo: essas pessoas são como garrafas vazias", diz Toscani.

Prioridade

A campanha, da griffe de moda Nolita, contou com o aval do Ministério da Saúde da Itália.

A luta contra a anorexia é uma das prioridades do governo do premiê Romano Prodi. Hoje, cerca de 2 milhões de italianos sofrem da doença e de bulimia.

A ministra da Saúde Lívia Turco afirmou, em nota oficial, que “uma iniciativa como esta é importante para abrir um canal de comunicação privilegiado com o público jovem, através de uma mensagem clara e capaz de chamar a responsabilidade para este drama”.
Oliviero Toscani criou a campanha tendo em vista um público muito mais amplo do que os consumidores de moda.

“A idéia não é uma campanha para o povo da moda, mas sim para quem olha para moda, para as meninas, as jovens, as estudantes, todos os públicos. O rei está nu”, disse ele.

O fotógrafo, que já tinha abordado o tema em um filme que chegou a ser apresentado no festival de Locarno, acha que "a responsabilidade deste problema não é apenas do mundo da moda".

"Existem as mães, a família, a desilusão de quem não se identifica com a imagem projetada pela mídia. Uma garota vê uma foto de moda ou uma imagem da televisão e pensa consigo mesma: 'Eu não poderia nunca ser assim', e assim tenta desaparecer, se auto-destruir, é um drama”, afirmou Toscani.

Ele conta que não foi difícil encontrar uma menina anoréxica. “Eu a procurei com um diretor de cinema busca uma atriz para um filme.”

'Imoral'

Mas vender roupa usando como imagem quem não tem como vesti-la não foi uma estratégia fácil de ser colocada no mercado. O principal jornal da Itália, o Corriere della Sera, se recusou a estampar a fotografia.

A campanha também ficou longe das ruas da França, sendo vetada nos outdoors. “A justificativa era de que a imagem era imoral. Não somos, ainda, civilizados“, afirmou Toscani.

Toscani acredita que, mesmo com a polêmica em torno da campanha, ela deve ter bons resultados.

“Acho que isso pode ser o começo de um novo ciclo de publicidade, vamos ver o que acontece. Não são tantos os clientes que possuem a coragem de fazer uma campanha como esta. Todos pensam que a comunicação publicitária deve ser falsa ou artificial, mas eu acho que se pode fazer algo interessante e tirar vantagens econômicas ao mesmo tempo.”



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A recusa do povo em saber a verdade é algo que sempre me fascina. É como se dissessem: "Por favor, não nos mostre que não queremos saber que isso de fato existe."

Estranho, para dizer o mínimo, essa negação da realidade.


Toscani tem razão. E está de parabéns por tentar alertar o povo dos males atuais.

A professora me deu 9,0 pelo rascunho!


Charge de Clayton, no Jornal O Povo

Fiscalizava uma prova de redação para o 8º ano. Um dos alunos, sem pretensões de fazer a prova, pendurou em sua orelha um brinco um pouco longo e começou a brincar... balançando a cabeça para ver se alcançava o brinco com a própria boca.... Éééééé..... o negócio estava sério. Resolvi - de pura bandalheira e para não ver mais essa cena dantesca - fazer um rascunho da seguinte proposta:

Redija uma carta de indignação sobre o caso Renan Calheiros.
Eis meu rascunho:

Estava à toa na vida, mas nenhuma banda apareceu. Que saudades dos tempos que não vivi! Quem sabe assim, eu não estivesse no mais profundo desencantamento com o atual quadro político.

O pior: a consciência de que tal corrupção sempre existiu, apenas hoje estamos cientes dos fatos. E quem disse que provar da fruta da árvore do conhecimento traz felicidade? estamos mais sabedores e sofrendo mais por averiguar que, no final, a impunidade permanece a mesma. E Renan Calheiros está a provar isso.

Sentimo-nos escorraçados, ainda que metaforicamente, do éden da ignorância e ansiamos por nos cobrir, envergonhados de tanta injustiça reinante neste país.

Indignação? não somente, mas sobretudo frustração impotente. Porque é quase certo que o resultado do Mensalão não tenha realmente surpreendido uma grande maioria. Mas é inegável que havia, sim, no mais recôndito fio de esperança, uma sede de justiça luzindo. E que triste a realidade. No mínimo, decepcionante.

O que resta ao povo - assim como eu - fazer? Ficar à toa na vida, na esperança do velho binômio "pão e circo" aplacar, miminizar essa indignação.

Tetê Macambira